Ariosto Martins de Araújo, o Boquita, nasceu no dia 17 de Novembro de 1930, na cidade de Campinas. Atuou no Guarani, Ferroviária e Corinthians.

E foi no time da Morada do Sol que Boquita integrou o BBB do interior paulista. Se o famoso Santos, de Pelé, tinha em sua linha de frente Pagão, Pelé e Pepe, o PPP santista, o BBB afeano era formado por Baiano, Bazzani e Boquita. Valendo-se de sua principal característica, Boquita passava facilmente por seus marcadores com uma velocidade espantosa. Sua facilidade para chegar à linha de fundo com a bola dominada contribuía para que os cruzamentos partissem com perfeição de seus pés. Era uma jogada “manjada”, como se diz nos dias de hoje. O Bazzani lançava, o Boquita driblava o lateral e cruzava para o Baiano fazer o gol. Simples na teoria, mas capaz de deixar qualquer sistema defensivo aterrorizado.

Boquita jogou na Ferroviária de 1953 a 1959. Atuou na partida memorável do dia 15 de Abril de 1956, quando a equipe da Estrada de Ferro venceu o Botafogo de Ribeirão Preto por 6 a 3 na Fonte Luminosa, conquistando o acesso à elite do futebol paulista pela primeira vez em sua história. Em 1959, o ponta se transferiu para o Corinthians, onde atuou em 40 partidas, jogando ao lado de craques consagrados, como Gilmar dos Santos Neves, goleiro Bi-campeão mundial com a seleção brasileira em 1962. Um episódio curioso marcou a trajetória do jogador no time de Parque São Jorge: em seu primeiro clássico contra o São Paulo, Boquita se desentendeu com seu então treinador Osvaldo Brandão. No dia seguinte, durante um treino da Ferroviária, o mesmo aparece, com as chuteiras na mão, pedindo para treinar com a equipe grená. Questionado sobre o ocorrido, foi convencido por seus ex-companheiros a relevar e a retornar à capital paulista.

Perdoado, Boquita foi reintegrado ao elenco corintiano, e tudo foi tratado como um inusitado mal entendido. Com o final da carreira, Boquita voltou para Campinas, onde veio a falecer. No entanto, quando a Ferroviária começava a mostrar sua grandeza no meio futebolístico, nosso inesquecível ponta esquerda foi peça fundamental naquele time, e é até hoje sempre lembrado pelos torcedores mais saudosistas da gloriosa Associação Ferroviária de Esportes.