Nascido em 06 de Junho de 1933, Mauro Raphael passou a infância trabalhando de engraxate nas calçadas do centro de Araraquara, nas proximidades da Igreja Matriz de São Bento. Sua maior diversão era jogar futebol descalço nos campinhos do Bairro São José.

E foi ali que os dirigentes do extinto Paulista Futebol Clube, equipe tradicional da cidade nos anos 30 e 40, descobriram seu talento com a bola. Sua estréia pela equipe do Bairro do Carmo aconteceu em 1948. Rapidamente, aquele ponta direita veloz e habilidoso começou a fazer sucesso. Em 1951, Maurinho se transferiu para o Guarani F. C. No ano seguinte, após despertar o interesse de grandes equipes do futebol brasileiro, foi contratado pelo São Paulo F. C., onde foi campeão paulista em 1953.

Chegou ao topo de sua carreira em 1954, quando foi convocado para disputar a Copa do Mundo daquele ano, na Suíça. Numa seleção de craques, cujo capitão era o meio-campista Bauer, que ganhou o apelido de “O Gigante do Maracanã”, por conta de sua atuação na final da Copa do Mundo do Brasil quatro anos antes, Maurinho era o ponta direita que atraía os olhares do mundo todo. Naquele mundial, nossa seleção foi derrotada por 4 a 2 para a grande Hungria, de Puskas, equipe que até hoje é lembrada como uma das maiores seleções de todos os tempos. Com a eliminação do Brasil, Maurinho seguiu sua carreira no Tricolor Paulista, onde também conquistou o título estadual de 1957.

Em uma final inesquecível, o São Paulo bateu o Corinthians por 3 a 1. No terceiro gol, Maurinho ficou cara a cara com o arqueiro corintiano Gilmar dos Santos Neves. Parou, pisou na bola, e disse: “Escolhe o canto, Gilmar”. Em seguida, tocou a bola entre as pernas do goleiro, o que despertou sua ira. Novamente Maurinho precisou utilizar sua velocidade, só que desta vez para não ser alcançado pelo arqueiro. Em 1959, Maurinho se transferiu para o Fluminense, onde foi campeão carioca. Em 1961, atuou no Boca Juniors, e foi campeão argentino no ano seguinte. Se aposentou em 1967 e fixou residência na capital Paulista, onde faleceu em 1995, aos 62 anos.

Numa época em que o futebol brasileiro ainda não havia iniciado sua trajetória vitoriosa, Maurinho colocou Araraquara no cenário mundial, feito este que sempre fará parte da história do nosso esporte.

A família de Maurinho doou na Copa do Mundo de 2018,o terno que ele utilizou na Copa de 1954 e está no MRE,Museu de Reminiscências Esportivas Paschoal Gonçalves da Rocha!