Em 1982, a brilhante campanha no Campeonato Paulista credenciou a Ferroviária a disputar o Campeonato Brasileiro de 1983.

E a Taça de Ouro, como era oficialmente chamado o certame na época, se tornou inesquecível para a torcida afeana, não apenas pela boa campanha e pelas vitórias marcantes, mas também pela geração de jogadores que por aqui passaram naquele ano, sendo a maioria oriunda das categorias de base do clube. Porém, muitos dos que foram trazidos de fora para compor o elenco grená também fizeram história.

E é nesse contexto que entra a figura de Antenor José Cardoso, o Pinheirense. O zagueiro, que iniciou a carreira no Clube Náutico Capibaribe, do Recife, se destacou pelo futebol viril e pela conseqüente intimidação aos atacantes rivais.

O jogador, que em pouco menos de dois anos defendendo a camisa grená, foi expulso de campo quatro vezes, protagonizou alguns fatos curiosos. No campeonato Paulista de 1982, em um jogo diante do São Paulo F. C. no Morumbi, o jogador foi expulso com dois minutos de jogo, em uma confusão com o centroavante Serginho Chulapa.

“Eu nunca tive medo de cara feia e, por isso, dei nele. Mas ele revidou, e como ele era mais forte do que eu, precisei correr para não apanhar” disse o jogador na época.

Em 1983, Pinheirense pisou na garganta do corintiano Ataliba, após ser expulso devido a uma falta violenta cometida sobre o mesmo jogador.

Na heróica vitória por 3 a 1 diante do Grêmio de Porto Alegre no Estádio Olímpico, em 1983, uma discussão entre Pinheirense e o jovem Renato Gaúcho se transformou em uma confusão generalizada dentro de campo.

Mas, diante disso tudo, o que o torcedor realmente guarda na memória, é a raça, a vontade de vencer e a entrega do jogador durante as partidas.

Essas características, que para muitos iam além do aceitável pelos boleiros da época, fizeram com que Pinheirense se eternizasse na memória do torcedor afeano como o “xerifão” daquele grande time, e é assim que ele é até hoje lembrado quando se fala da Ferroviária da Taça de Ouro de 83.

O jogador defendeu também o Coritiba, Botafogo de Ribeirão Preto, São Caetano, Paulista de Jundiaí, Ituano e Londrina.

Vítima da violência, Pinheirense ficou paraplégico no ano 2000, após ser baleado nas costas, na capital Paulista.

Em seguida, se mudou para Recife, sua cidade natal, onde faleceu em 2009, aos 53 anos, de infecção generalizada.